-impressionante a quantidade de estrangeiros na Alemanha e em Karlsruhe. Já não me chama atenção escutar diversas línguas no bonde: italiano, espanhol, português, inglês (em geral com sotaque americano), grego, russo... A comunidade brasileira de Karlsruhe é enorme e não é incomum ouvir samba, ver capoeira ou avistar uma bandeira do Brasil por aí. O que mais me surpreende são as mulheres árabes, algumas cobertas da cabeça aos pés, outras apenas com o lenço na cabeça, muitas delas modernas e estilosas, fazendo compras, academia, dirigindo, andando com outras mulheres que não usam o véu. Tenho a impressão que Karlsruhe tem mais estrangeiros que alemães. Parece que esta presença maciça de imigrantes tem a ver com a necessidade de mão-de-obra, carência tanto da Alemanha pós-guerra quanto de hoje, com densidade demográfica decrescente. Por isso, o estímulo (ou a não coerção mais agressiva) da imigração. Outro aspecto que permite essa maior tolerância com os estrangeiros é a herança cultural da Alemanha pós-nazismo, que faz de tudo para se afirmar como um país pacífico, que acolhe as diferenças e respeita a comunidade internacional. Apesar de muitos brasileiros se queixarem de preconceito, eu sinto que ser estrangeira aqui é a coisa mais natural do mundo.
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| minha turma de alemão ilustra bem as diversas origens dos estrangeiros aqui: Macedônia, México, China, Canadá, Itália, Coreia, Colômbia, Líbia, Síria, Rússia... - já falei da nudez, mas a naturalidade com que os alemães lidam com ela continua me surpreendendo. Acho interessante não haver nenhuma questão em se estar nu, sem qualquer sexualização ou desconforto. Na academia, as moças (e as velhas, mesmo as muito gordas), além de fazerem sauna e de andarem para lá e para cá peladonas no enorme vestiário, tomam banho de sol no terraço, que é exposto para a cidade inteira! E parece não haver nada mais natural do que deitar pelada numa espreguiçadeira com mil janelas em volta. Realmente acredito que a vizinhança fique absolutamente indiferente, pois aqui ninguém parece estar preocupado em olhar para ninguém, esteja nu, bêbado fazendo baderna, fantasiado ou vestindo trajes exóticos. Tem sido libertador o exercício de deixar a vaidade de lado, não me preocupar tanto com o que eu visto, ou como me comporto, mas acho que estar nua na presença de alguém não vai se tornar algo natural... |
-as bicicletas aqui são tão respeitadas que os carros raramente as ultrapassam. O ciclista simplesmente indica com o braço se vai entrar numa rua e os carros é que parem. Parece que há um planejamento governamental para tornar a vida dos motoristas cada vez mais insuportável. Então os Strassenbahns, os pedestres e as bicicletas têm sempre prioridade no trânsito, ampliam-se as áreas restritas a carros, cobra-se caríssimo para estacionar e disponibiliza-se poucas vagas. A proposta é excelente, até porque o transporte público funciona maravilhosamente bem. É possível prever o itinerário completo pela internet, colocando-se origem, destino e horário desejado de chegada ou de partida. Sabe-se exatamente em que horário o bonde passa em cada estação e na maioria delas tem até um painel eletrônico com a previsão de horário de chegada de cada linha. Só para ilustrar como tudo aqui é mais bem planejado: Karlsruhe não é uma cidade muito grande e já está em obras para o metrô porque a previsão é de que daqui a 10 anos a malha viária atual não vá dar conta do movimento crescente!

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